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SAÚDE -
06/01/2026 09:50

Alta incidência coloca câncer de colo do útero entre os principais desafios da saúde feminina

Doença figura entre os três tipos de neoplasia mais frequentes entre mulheres no Brasil

O câncer de colo do útero é um dos principais desafios da saúde feminina no Brasil | Crédito: Divulgação

O câncer de colo do útero segue como um dos principais desafios da saúde feminina no país, apesar de ser amplamente prevenível. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), desconsiderados os tumores de pele não melanoma, esse tipo de neoplasia está entre os três mais frequentes entre mulheres no Brasil. Em Ribeirão Preto, dados da Secretaria Municipal da Saúde indicam que o cenário também exige atenção, já que, embora os óbitos registrados em 2025 sejam inferiores aos de 2024, o impacto da doença permanece relevante.

A campanha Janeiro Verde amplia o debate sobre a importância do cuidado contínuo com a saúde da mulher. O câncer de colo do útero, também conhecido como câncer cervical, se desenvolve a partir de alterações na região que conecta o útero à vagina. Na maioria dos casos, essas modificações estão associadas à infecção persistente pelo papilomavírus humano, o HPV, um vírus comum e amplamente disseminado, transmitido principalmente por contato sexual.

“Estamos falando de um câncer com causa bem definida e com ferramentas comprovadas de prevenção. Quando a vacinação, os exames de rotina e o acompanhamento médico fazem parte da vida da mulher, o risco de evolução para quadros mais graves diminui de forma significativa”, explica Diocésio Andrade, oncologista.

Vacina é um dos caminhos para mudar cenário
A vacinação contra o HPV é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir a ocorrência do câncer de colo do útero, ao impedir a infecção antes mesmo do surgimento de lesões. A recomendação é que o imunizante seja aplicado preferencialmente em meninas e meninos de 9 a 14 anos, antes do início da vida sexual, período em que apresenta maior eficácia. No Brasil, a vacina foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2013. Passados mais de dez anos desde o início da vacinação gratuita, crianças e adolescentes seguem como público-alvo prioritário, o que não impede que adultos não imunizados também recebam a dose.

“Mesmo mulheres que já tiveram contato com o HPV podem obter benefícios com a imunização. A infecção prévia por um subtipo do vírus não significa exposição a todos os outros. A vacina não trata a infecção já existente, mas ajuda a prevenir novas infecções e pode contribuir para reduzir o risco de recorrência de lesões em pacientes que já passaram por tratamento”, completa o médico.

Evolução silenciosa também é desafio
Outro ponto no enfrentamento da doença é o rastreamento regular. O câncer de colo do útero costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais, sem apresentar sintomas evidentes. “Quando os sinais aparecem, muitas vezes a neoplasia já está em fase mais avançada. O acompanhamento ginecológico periódico permite identificar alterações ainda no começo, quando as chances de controle são muito maiores”, reforça Diocésio.

A discussão sobre prevenção também se conecta a uma meta global estabelecida pela Organização Mundial da Saúde. A entidade aponta que, com ações consistentes de vacinação, rastreamento e tratamento adequado, o câncer de colo do útero pode deixar de ser um problema de saúde pública ao longo de uma geração. Para o oncologista, esse é um objetivo possível. “Temos conhecimento científico, vacinas disponíveis e métodos diagnósticos eficientes. O desafio é garantir que essas estratégias cheguem de forma ampla e contínua à população”, destaca.

Diagnóstico
A detecção do câncer de colo do útero ocorre, principalmente, por meio de estratégias de rastreamento preventivo. O Papanicolau permite identificar alterações celulares em estágios iniciais, antes da progressão para um quadro invasivo. Em determinadas situações, testes específicos para o HPV podem ser utilizados de forma complementar. Quando são observadas alterações mais relevantes, outros procedimentos auxiliam na avaliação detalhada da neoplasia.

Tratamento
De acordo com Diocésio Andrade, o tratamento varia conforme o estágio da doença, as condições clínicas da paciente e outros fatores individuais. Em fases iniciais, procedimentos cirúrgicos podem ser suficientes. Em estágios mais avançados, o cuidado pode envolver radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou a combinação dessas abordagens.

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