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Um desabafo!

 

(Um desabafo contra a atitude do Conselho Federal de Medicina que buscou na justiça a restrição de algumas atividades dos enfermeiros no SUS).

 

Enquanto minha classe é completamente desunida e sempre clamamos pela união, hoje tal desunião está causando um impacto importantíssimo na saúde das pessoas.

Sou enfermeira e meu salário, se for bom, é porque acúmulo dois ou três empregos sem me preocupar se amanhã vou adoecer ou não.

 

Nós enfermeiros Trabalhamos dia, noite, feriado, natal, ano novo deixando nossos pais, filhos e até mesmo nossos amigos para passar noites e noites dentro de um hospital ou  o domingo em campanha vacinando à população para prevenção de doenças. Fazemos isso porque amamos e se algo mudou foi porque conseguimos com nossa garra ao invés  de ficar na nossa zona de conforto.

Semana passada o Conselho Federal de Medicina entrou com uma ação judicial proibindo nós enfermeiros de nossas atribuições.

Vamos lá população! Vou lhes contar aqui o que somos e o que fazemos e você, usuário do SUS, veja com seus próprios olhos no que a saúde vai se tornar. Quando vamos para a faculdade já vamos sabendo que enfermeiro trabalha muito e ganha pouco, não é igual a classe médica. Certo! Aí formamos. Entramos no setor público para trabalhar ( vou falar desse setor porque é nesse que trabalho). Daí você ouve de todos os lados que funcionário público não faz nada. Quanto isso nos magoa, mas se nem Jesus Cristo agradou a todos quem somos nós, né? Pois bem então, usuários, nós enfermeiros ficamos de perna para o ar, certo? Comecemos: a responsabilidade de uma unidade de saúde é do enfermeiro e é o enfermeiro o  responsável por cobrar a limpeza do posto, por ensinar os auxiliares a fazer suas atribuições e mostrar aos funcionários da recepção o quão importante seu serviço de ponta é. Nos dias atuais, o enfermeiro que acaba sendo responsável, também, por organizar até a agenda do médico.

Em muitos municípios colocam o enfermeiro para bater de frente com médico, porque eles, médicos, não cumprem horário. Então a guerra começa, pois  pensam que nós enfermeiras, queremos o lugar dos benditos, mas muito pelo contrário, queremos que o senhor médico trabalhe conosco nos atendimentos,  palestras,  grupos e em tudo que a equipe de saúde faria junto. Aí vem o Conselho Federal de Medicina, que em minha opinião, possui atitudes garantidoras de uma reserva no mercado, e, simplesmente, proíbem os enfermeiros de suas atribuições, mas claro que a população mal sabe o que o enfermeiro faz e, portanto, se não sabem, eu lhes digo população: o enfermeiro pode atender, o enfermeiro pode fazer consulta de pré-natal de baixo risco, o enfermeiro pode fazer exames e até mesmo tratar doenças sexualmente TRANSMISSÍVEIS, o enfermeiro colhe Papanicolau etc. Conclusão, o enfermeiro é enfermeiro e NÃO MÉDICO... Agora me diz:

- O setor de saúde que trabalho colhe mais de 200 papanicolaus, vai ser só o médico a desempenhar essa atividade?

- Fazemos todos os testes rápidos para diagnóstico precoce de doenças TRANSMISSÍVEIS, não esquecem que estamos em plena epidemia de sífilis. Será que o médico faz todos esses testes?

- Montamos grupos para melhorar e manter a qualidade de vida da população e ainda monitoramos. Médicos vão fazer?

- Pacientes com suspeita de tuberculose, enfermeiros fazem atendimento, solicitam exames até para os familiares do paciente e, ainda, monitoramos a medicação do paciente para ter a certeza de cura. Os médicos irão lá na casa do paciente se ele não for até a unidade para tomar  a mediação?

Colegas enfermeiros, suspendem essas atribuições realizadas pelos enfermeiros (meu sonho que isso seja feito). Porém, em verdade, seria o meu sonho se tal suspensão não causasse impacto direto à população. Acontece que do jeito que estão fazendo os pacientes doentes irão apodrecer e os que virão a descobrir eventuais enfermidades, infelizmente, meu caro colega, terão que torcer por um encaixe na agenda do médico em tempo. Boa sorte!

Advirto, ainda, que muito mais coisas como essas proibições estão por vir, e, se não tomarmos consciência e agirmos de maneira unida, estamos fadados ao pior.

Voltando no topo da conversa, minha classe sempre foi desunida, porém hoje está ainda mais, pois muitos enfermeiros estão deixando de fazer atribuições para não serem prejudicados judicialmente e outros não estão deixando de fazê-las para não deixar que os usuários sofram com tudo isso, mesmo esses enfermeiros sabendo que serão punidos,

Será que o Conselho Federal de Medicina pensou nos pacientes de todo o Brasil, será?

Nesse grande momento eu como ser humano, estou orgulhosa de nossa classe (enfermeiros), pois até a Associação Brasileira de Medicina da Família está em defesa dos enfermeiros.

ORGULHO DE SER ENFERMEIRA.

Por fim, peço desculpas a todos por alguns colegas de trabalho médico, no entanto, ainda existem pessoas do bem.

 

OBSERVAÇÃO:

Os municípios de Ipuã, Guará, Sales de Oliveira e Rifânia já suspenderam as agendas dos enfermeiros.

Clique AQUI para acessar a íntegra da decisão liminar que restringiu as atividades dos enfermeiros.

Clique AQUI para acessar a nota do Conselho Regional de Enfermagem –SP.

 

*Edilene Rocha Peixoto é enfermeira no município de Ipuã.

 

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Não importa o que o passado fez de mim. Importa é o que farei com o que o passado fez de mim. (autor desconhecido)